segunda-feira, 7 de junho de 2010

O peso do alívio... o Alívio do peso


No início de 2009 decidimos, meu marido e eu, que teríamos um comércio. Animado com uma viagem que vez a Campo Grande, cidade em que seus tios têm duas lojas de roupas, ele (meu marido) voltou decidido de que o ramo de roupa infantil seria uma boa forma de ampliar os nossos rendimentos.

Eu sou formada em jornalismo. Na época, não encontrava nada na minha área e ficar em casa sem trabalhar já se tornara um suplício!

Apoiei e me dediquei ao nosso mais novo projeto. O dindin, que ele havia guardado de longos anos, seria inteiramente investido na empreitada... tudo daria muito certo!

Abrimos a empresa, como manda o figurino, montamos a loja ( a mais linda possível), acreditamos e investimos alto no nosso "negócio". A partir de julho de 2009 nos tornamos empresários e eu, dona de loja.
Sacrifiquei os finais de semana, afinal, tudo vale a pena para ver o lucro. 

Hoje, quase um ano depois, estou em casa, trabalhando com jornalismo freelancer, cuido da minha filha de quase 4 anos e aguardo ansiosamente a chegada da segunda herdeira, Manuela, que nascerá mês que vem.

Um ano... foi o que durou nossa motivada e determinada empreitada. A culpa não foi nossa, pois, se não tivéssemos tentado, jamais saberíamos o que teria acontecido. A culpa não foi da loja, pois, investimos e acreditamos. A culpa não é do Lula, Kassab, Congresso Nacional, etc, porque não faz sentido culpá-los por tudo o que acontece....rs

A culpa... não há culpa, não há culpados... 

Às vezes me pego relembrando dos dias em que passei na loja, dos meus clientes, amigos que fiz, dos finais de semana em que "perdi" com minha filha, com meu marido. Outras vezes, vejo o que voltei a ter ficando em casa, cuidando da Anita que cresce tão depressa! 


Há dois lados: o lado positivo e o negativo nessa história toda. 


Não fui a primeira a me frustrar... não serei a última. Mas tentamos e isso é viver.
Em todas as escolhas há um peso e um alívio. Hora me sinto aliviada, hora me sinto como alguém que fracassou...

Talvez...

Conheci uma moça que tinha uma loja de roupas infantis, assim como eu, mas um pouco menor. Ela também fechou sua loja e decidiu montar em um outro ramo. Ela me disse que se sentia mal por novamente ter que "tentar outra coisa", mas se sentiria muito pior se tivesse parado de tentar.

Temos a tendência de uma autopiedade contínua... estamos sempre com dó de nós mesmo e nos sentido injustiçados... seja no emprego, na escola, na família, nas conseqüências... Algumas coisas acontecem simplesmente porque merecemos... é como se fosse um "bem-feito"... Outras acontecem "porque sim", e cabe a nós driblarmos o desânimo, a "peninha", o eco de coitado e recomeçar, sem muita preocupação se a direção é exatamente a correta, assim, estaremos novamente dispostos a recomeçar, recomeçar e recomeçar.

Que venham os próximos sonhos, os próximos erros e os próximos acertos (em maior número, de preferência..rs)... Assim, saberei que estou viva!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cegueira humana

    Quando ocorreu o terremoto no Haiti fiquei perplexa com tamanha destruição. Depois de ler tantas informações e pontos de vista sobre o desastre, fiquei pensando se consegueria escrever algo a respeito aqui no blog. Tentei umas 3 vezes, mas estava bloqueada.
   Não sei o que mais entristece em tudo o que aconteceu, mas o que mais me impressionou foi ler que presos escaparam da prisão e passaram a cometer maldades com seus compatriotas, que já estão em situação tão delicada.
   Será possível que não há um mínimo de interesse com o próximo quando estão todos no mesmo barco? Me veio à mente parte do filme "Ensaio sobre a cegueira" (baseado no livro de José Saramago, com o mesmo título), quando uma das alas decide que tem mais direitos do que os demais cegos, que estão em igual situação miserável.
   No caso do filme, uma arma os torna mais fortes e, por isso, com o poder de atordoar seus iguais.
   Voltando à vida real, a frase "tudo pode piorar" parece se encaixar perfeitamente no Haiti. A violência maior está instalada entre pessoas de mesma língua, em alguns casos de mesma fé, de mesma pátria. Se de todo o mal que abateu aquele país pudéssemos extrair um maior, ele seria a frieza do coração de quem só pensa em si. 
    Não estou entrando na questão das várias brigas que ocorrem por causa de comida e água. Se eu estivesse em igual situação, faria o mesmo para garantir o mínimo de alimento aos meus filhos... instinto de sobrevivência.
   O desfecho dessa triste história ainda está longe de acontecer. Para muitos de nós, vizinhos distantes, a desgraça deles não será tão presente no decorrer dos dias desse ano, mas sem dúvida, 2010 se iniciou marcando com dor, desespero e miséria todos os haitianos espalhados pelo mundo.
   Acho que sei porque não conseguia escrever a respeito do terremoto: só se pode expressar dor, quando se está ferido de verdade. Escrever logo depois do ocorrido seria tornar a contar um caos repetidamente informado. Depois de tanto ver as cenas e ler os relatos, sinto-me mais perto dessa tristeza, e mais mesquinha diante de meus "probleminhas" possíveis!

 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Um som... um poema... um alívio...


 João Alexandre

Cuida do passarinho e também da flor, eles esperam pelo teu amor!
Faz do teu lar um ninho e do mundo um chão
Onde se plante paz comunhão!
Para que brote e cresça a mais viva semente;
Para que a gente tenha o que colher.
Para que o pão que venha a ser por nós assado
Seja um sinal traçado de viver.
Faz uma nova casa na varanda do velho chão,
Convida teu irmão pra vir morar contigo;
Planta paredes novas, feitas para
servir de lar e abrigo.

Faz um café gostoso, põe a mesa no teu jardim;
Deixa que assim as plantas tenham paz contigo;
Convida o universo faz a vida
ganhar maior sentido!
Cuida da tua morada!
Cuida do pequeno mundo!
Deixa teu irmão bem perto
Livre...

Por meia dúzia de peças de roupa e uns trocados na gaveta


No final de 2008 me formei em jornalismo com a cabeça cheia de boas intenções e alegrias de recém-formado!
Em Maio de 2009 abri uma empresa com meu esposo por perceber que meus sonhos não me levariam a um lugar estável para criar minha filha... o jeito era arregaçar as mangas e tentar o que fosse possível para ganhar o pão de cada dia e viver dignamente, no mínimo.

Em Julho a loja de roupas infantis, Terra Mágica, estava inaugurada e o "gás" para o trabalho em alta!

Em agosto, o primeiro baque chegou: De madrugada, indivíduos bem informados entraram na loja e limparam tudo o que tínhamos de roupa... "um limpa estoque".
Como covardia não era o nosso forte, sacudimos a poeira e, no final de Setembro, lá estava a Terra Mágica em pé novamente.

Outubro, Novembro, Dezembro (e as boas vendas de Dezembro) passaram com muito custo (e custo alto) e enfim o ano de 2009, tão tumultuado, se foi.

Depois de um feriado perfeito de muito descanso, o pesadelo voltou com outra face: Novamente assaltados, desta vez não com a mesma carga, levaram algumas peças de roupas, dinheiro e documentos, mas deixaram um susto que custará a se apagar.

Incrível o poder de uma arma! Silencia o grito mais óbvio e esconde a coragem mais louvável.

Os minutos não passam, não é mesmo?

A constatação da impunidade tão gritada na boca de toda a sociedade, irrita ainda mais quando somos nós as vítimas dela.

Depois do assalto me dirigi à DP mais próxima para fazer o B.O, mas não havia sistema: "Aguarde (sem previsão) ou volte amanhã!

Imagino que a essa hora, quem mais uma vez lesou um cidadão, está contando vantagem em algum lugar, rindo e debochando da facilidade de se fazer o que fez, se considerando muito homem por ter abordado com arma em punho , alguém indefeso, que obedece a tudo pelo simples fato de não saber o que se passa na louca cabeça de quem tem o poder de tirar ou poupar a vida do outro, por meia dúzia de peças de roupa e uns trocados na gaveta.

Você pode estar se perguntando: "Mas você não tem seguro, alarme ou alguém que faça a segurança do seu estabelecimento?" E eu te respondo: " Então para quê tantos impostos se trabalho para me proteger?"

E o pior... Sim, eu tenho tudo isso para "proteger" a loja...Talvez ainda não seja o suficiente!

Suficiente não é também a esperança, que pouco a pouco definha e desiste de acreditar.

E olha que somos tão jovens...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Jornalistas ensinam jornalistas

Em qualquer profissão reciclar e aprender deve ser alvo de busca constante. Ninguém nasce sabendo e, provavelmente, não morrerá sabendo tudo.
Acabo de me formar em jornalismo e ainda sei muito, muito pouco sobre o que é o jornalismo e o ser jornalista. Enquanto um curso de maior especialidade não chega, como pós e mestrado, procuro na internet tudo o que é fiel à profissão e pode me ajudar neste "limbo"entre ex-estudante e futuro profissional.

A Abraji, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, realiza um curso online sobre Desenvolvimento Humano para Jornalistas, e está em sua décima terceira edição. Eis aí algo sério, não apenas pelo tema, mas pela seriedade em que o assunto é tratado, principalmente com jornalistas que, a grosso modo, fala por último o que foi falado primeiro em vários cantos.

Como profissionais, reproduzimos palavras, imagens, atitudes e decisões importantes para a sociedade. Saber interpretar essas informações e os dados que surgem de diversas discusões acerca da sociedade é um dever do profissional que se julga gabaritado para exercer a função.

O Desenvolvimento Humano é, ou deveria ser, uma das informações que mais precisam de zêlo e coerência nas apurações. Passar batido nesses dados, sem aprofundar qualquer conhecimento à população, é tornar pessoas que são representadas por números, em meros números.

Um curso que não apenas ensina como fazer matérias sobre desenvolvimento humano, mas cria no profissional de jornalismo a consciênca de fazer mais do que meramente reproduzir erros e dados fraudados. Quem tem a capacidade de entender e se fazer entendido, tem o poder de se defender e defender a sociedade.

Parabéns à Abraji pela iniciativa e aos jornalistas que se permitem aprender sempre.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Crime é crime


Na semana passada, ao voltar para casa depois de buscar a Anita na escola, eu e meu esposo fomos surpreendidos com uma cena que, embora inseridos na zona leste, nos é pouco comum.

Segundo os populares que se aglomeravam na avenida que dá acesso à nossa rua, e também na própria rua, a pouco acontecera um assalto a uma agência dos Correios e o meliante morreu momentos depois de ser atingido com dois tiros.

A muvuca era realmente grande. Quando entramos na rua de nossa casa, vimos alguns policiais militares conversando com funcionários dos Correios e com o autor dos disparos. Este era um policial civil que estava no local na hora e que o garoto, armado, anunciou o assalto.

Em seu papel de policial e investido de autoridade para fazê-lo, o homem grisalho que não estava em atividade naquele momento, anunciou que era policial e deu voz de prisão ao bandido. 

Tudo isso, claro, segundo as "testemunhas"que encontramos na rua enquanto caminhávamos para casa. Essas testemunhas contaram, ainda, que ao ser surpreendido pelo policial a paisana, o assaltante desistiu da ação e saiu correndo da agência, correndo para a avenida.

O policial civil foi atrás do garoto, de 15 anos, que por não parar levou 2 tiros nas costas e, depois de insistir um pouco, caiu na calçada, desacordado.

O resgate e a polícia foram acionados. O policial que disparou contra o ladrão ficou no local do assalto até a PM chegar. Depois de alguns depoimentos ele foi liberado.

Nós vimos o policial civil... ele estava com uma blusa do "Barracuda", um bar+balada que fica na região da Penha (ZL) e dirigia uma van de "quitutes"(salgados e afins). Talvez o ramo não seja tão rendável para se ter apenas uma atividade.

No caminho conversamos com comerciantes da região, com moradores... cada um tinha uma olhar sobre o ocorrido. Para os comerciantes, foi algo positivo, afinal era um delinquente a menos para atrapalhar o dia-a-dia de pesseos honestas e trabalhadoras.

Mas uma opinião diferente ressoou... Um jovem, de vinte e poucos anos, com um estilo skate e punk rock, estava atordoado com a idéia de que um policial matou uma pessoa, sem ofelhecer o direito de rendimento. Para ele, a autoridade do civil era de render o bandidinho e o prender, dando, ainda, o direito de ter uma advogado e um telefonema, que possivelmente seria para a própria mãe.

A mãe do garoto, delinquente, bandido, ladrão, asaltante e, agora, difunto, não recebeu a ligação do próprio filho e não ouviu sua voz arrependida, dizendo que nunca mais faria aquilo.

Poderíamos pensar que esse muleque estraria na Fundação Casa arrependido e sairia de lá um profissional do crime. Mas só poderíamos pensar, já que a sorte já foi lançada.

Prefiro pensar que o muleque tentou uma primeira vez aquilo que "os manos" ja tinham feito e se deram bem... Prefiro pensar que ele mesmo acreditou: "comigo vai dar certo também, nem preciso atirar".

Pensando bem, não quero pensar, não quero lembrar... eu não o conhecia... foi só mais um crime... menos um, menos esperança... nada de tolerância.

terça-feira, 17 de março de 2009

Adaptação


Atualmente, escolas infantis e creches trabalham com o processo progressivo de aceitação da criança na escola, a chamada adaptaçã0. Este processo visa o total conforto e afinidade da criança, normalmente entre 1 e 3 anos, diante da nova situação de ficar o dia inteiro, ou parte dele, longe de seus pais ou avós, babás e tias que antes o assumiam dentro de seu refúgio seguro - o lar.

Digo "atualmente", porque na época em que entrei na chamada escolinha, que era uma creche pública, minha mãe conta que a "adaptação" era no susto. Um dia você estava em casa, no outro, na escolinha.
                                                                                                                                  
Este método de familiarização da criança com o novo ambiente me parece muito proveitoso. Vivi essa experiência na semana passada. Anita, minha filha de 2 anos e 8 meses, foi à creche (pública, assim como eu, 23 anos atrás) pela primeira vez. Foi a insistência dela que me motivou a colocá-la em um lugar onde a maioria das pessoas que a cercam têm a mesma idade que a sua.

Normalmente, a televisão era a principal, e muitas vezes, única companhia dentro de casa. Os afazeres nem sempre dividem espaço com a atenção que crianças dessa idade necessitam.

E lá fomos nós duas para o primeiro dia de aula. Ela ficaria 2 horas dentro da sala de aula em minha companhia. Para minha felicidade, e das professoras, ela se deu muito bem e sequer chorou quando me ausentei um pouco. 

No segundo dia fui acreditando que seria mais uma aula em que eu estaria presente, agora por 4 horas. A adaptação da Anita foi excelente. Fiquei 30 minutos aguardando na secretaria, e depois disso a professora disse que eu poderia ir e buscá-la no horário combinado, ainda dentro do período de adaptação.

Voltei sozinha.

Aí, começou a adaptação.

Minha filha estaria em seu ambiente propício. Aprendendo, se desenvolvendo, convivendo em sociedade de forma sadia, brincando e se divertindo muito.

E eu? Eu voltaria pra casa, para os afazeres que antes não me davam tempo para curti-la.

Voltei caminhando... Agora quem precisava de adaptação era a mãe que não via a hora de fazer a vontade da filha e, que agora, estava com uma saudade enorme. Mas as horas passam... Tal como um filho que espera anciosamente a chegada do pai e da mãe, eu estava contando os minutos para buscar a minha filhinha. Para minha surpresa e alegria, ela correu aos meus braços e disse: "Eu gotei. Gotei muito da colinha, mamãe".

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Despedida e saudade...

(Crônica escrita por Ricardo Molina, meu esposo, horas antes do falecimento de seu querido tio, Elson de Souza)

Naquela manhã, eu e meus familiares acordamos cedo, vestimos nossas melhores roupas e passamos nossos perfumes como se estivéssemos indo à uma festa. Acordamos todas as crianças que estavam na casa para que pudéssemos levar para a GRANDE ESTAÇÃO, de chegadas e partidas, nosso querido e amado tio, pai, esposo e irmão. Ele estava de partida e já havia planejado a tempo esta viagem, mas não podia levar ninguém.


Neste tempo de planejamento ele deixou tudo conforme desejava. Havia muita resistência de nossa parte, bem como de sua esposa e suas duas filhas, pois, não seria nada fácil ficar longe de quem tanto nos ensinou o significado da palavra amor e, com sua vida, nos ensinou a amar. Para que esse dia chegasse, ele nos preparou por muito tempo e com muita alegria, o que nunca lhe faltava. Porém os seus braços já estavam cansados, pois, sua vida foi de muito trabalho fadiga, suor e dor. Porém essa fase ele já havia cumprido muito bem. O que realmente nosso coração quer, é sempre ficar ao lado de quem amamos, por isso a partida já estava em nosso subjetivo, mas não em nossa razão.


Bom, chegou a hora. Meu tio entrou naquele enorme trem. No último vagão, na última poltrona, de numero 13, que ficava do lado esquerdo, pois, nessa posição poderíamos acompanhá-lo até perder de vista. Minha tia ganhou um lindo buquê de flores, um beijo de até logo e um bilhete que dizia: “De todas as flores você é a mais bela, nada se compara ao seu cheiro e ao seu amor. Obrigada pelo cuidado e pelo amor recebido. Deus te abençoe. Seu Amado”. Suas filhas receberam um abraço apertado, um cheiro e um recado: “Cuide da nossa família com amor”. Então, nós recebemos um sorriso maroto, um piscar de olhos que dizia “estou indo nessa, obrigada pelo carinho”.


Ficamos todos olhando sem piscar, ele entrar no trem, ajeitar suas bagagens, sentar-se na última poltrona e, sorrindo, abanar suas mãos. As lágrimas já corriam em nossos olhos, e sem que pudéssemos dar conta, as portas do trem se fecharam.
O maquinista deu a partida, soltou a fumaça e começou a andar. Nós andávamos junto com ele, para que pudéssemos expressar a satisfação em viver com alguém tão fascinante, encantadora e amada. O trem começou a ganhar velocidade... e nós corríamos até onde conseguíamos... e víamos nosso amado partindo. As mãos abanando de saudade, daquele que deixou nossas vidas marcadas para sempre.


Em nosso coração temos a certeza de que um dia este trem não partirá mais levando os amados, pois o Senhor da Vida nos dará, em seu tempo, uma vida sem dor, choro e lágrimas. O trem será vencido, e nós encontraremos todas as pessoas amadas que serviram e servirão nosso Senhor neste lugar chamado Reino de Deus.


Em nosso último encontro ele me ensinou algo para a vida toda, que é: “Não existe um Por que, e sim, para quê”. Agora digo, se for para lembrarmos com alegria, já valeu a pena.


Sentiremos saudade. Lembraremos-nos sempre com alegria.


Com amor, lágrimas, alegria e saudade...


Ricardo Molina - São Paulo, 18 de Fevereiro de 2009. (01:00 am)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sombras de ninguém


Neste período de férias tive a oportunidade de viajar de carro. Saindo de São Paulo, passei por Minas Gerais, Bahia até chegar em Sergipe.



O percurso de tão belas paisagens se misturam com a miséria encontrada à beira da estrada: homens e mulheres, jovens e idosos, crianças e bebês, todos famintos e desesperados por um ajuda que os faça esboçar algum sorriso.



Certa vez, em palestra do jornalista Cal Francisco, ouvi um radiodocumentário produzido por ele que denunciava a miséria das estradas da Bahia, em que pessoas de diferentes idades, inclusive crianças, imploravam por qualquer moeda ou pedaço de pão que fosse atirado de dentro de carros e caminhões na direção deles.



Foi isso que vi. Essas pessoas passavam a mão na barriga e estendiam a mão pedindo esmolas aos carros e caminhões que passavam a 120 km por hora nas estradas esquecidas. Eles se instalavam em "choupanas" feitas com palha e folhas largas de árvore, e lá, ao que tudo indica, passavam o dia todo, em família, esperando uma ajuda, ou, quem sabe, torcendo para que um carro ou caminhão tivesse algum problema no motor e, então, pudesse enxergá-los.



Pior do que presenciar é sentir-se impotente. Como ajudar pessoas que estão à beira de uma estrada que não se conhece as curvas, que a velocidade mínima é 80 km por hora e que não como deduzir em que locais eles estarão!



Isso passou pela minha mente enquanto observava essas famílias. Me senti como alguém que se compadece mas que nada faz. Me senti como sempre, pois, a ajuda e a real preocupação com o aflito não depende de uma imagem ou de uma realidade que choque meus princípios morais.



Considero que denunciar injustiças como essa que vi nas minhas férias em família, e tantas outras que esquecemos no dia-a-dia do próprio umbigo, é muito mais do que constranger-se ao ver a dor alheia. Ela deve nascer de uma consciência banhada de coração dedicado e desinteressado de troca e de recompensas.



Depois que passamos a parte da estrada em que vimos essas pessoas, a paisagem bela do percurso voltou a nos encantar, e logo esquecemos da dor que, embora seja um sentimento abstrado, foi possível ver caracturado.



Agora lembro-me com força de todos os que vi na estrada, mas assim como para tantos que nem sabem que eles existem, tenho a sensação de serem sombras, sombras de ninguém.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Eleições na vida real

Depois de 12 horas de espera, das 9 da noite de terça-feira, até 9 da manhã e quarta-feira, três filhos e um pai, que precisava realizar uma tomografia, perderam a "classe".

O plantão já havia mudado3 vezes, e nada resolvido. As perguntas não tinham uma resposta concreta: "Agurade por favor, logo o médico virá para acompanhá-los". O médico não chegou, o cansaço e a indgnação se instalaram e a gritaria começou.

"O pior - diz a filha revoltada - é que depois de 12 horas de espera, sentada em um banco frio, meu pai e eu somos tidos como ignorantes, já que não procuramos atendimento anteriormente. É o cúmulo".

Eu chegeui às 6h30 da manhã, com meu pai de 80 anos. Tivemos que aguardar, "pacientemente", pelo médico para, então, sermos atendidos.

Dentre as revoltas de todos os presentes, cada um com sua queixa ao sistema de saúde, chegamos à firme conclusão de que as eleições que se aproximam são inúteis e muito simbólicas. Independente da legenda que cada um votaria ali, o descaso e a falta de investimento em pessoal qualificado e na própria estrutura dos hospitais, continuariam, já que a crise é crônica!

Em cada campanha há um foco. Nessas eleições o trânsito está como prioridade. Dá a impressão de que outras prioridades foram resolvidas e, por isso, o trânsito paulistano pode ser olhado com mais cuidado e profundidade.

Me parece que o melhor momento de refletir sobre o voto é durante uma enchente na cidade, uma espera louca no hospital, um congestionamento na marginal e um assalto no centro da cidade de São Paulo. Entretanto, é durante os intervalos das novelas e dos programas de entretenimento, que nossos candidatos aparecem, bem maquiados e com sorriso de esperança, para propor "soluções cabíveis" à população, que está emergida em um prazer produzido pela tv, e compartilhando dos mesmo ideais desses candidatos.

O dia-a-dia é a melhor forma de avaliar um voto. Acredito que nenhum deles farão algo novo. Nenhum deles têm propostas transformadoras. Se as têm, deixam guardadas para os últimos 2 anos de gestão, quando deixarão para o próximo, e, assim, acusá-lo de "barrar uma excelente obra iniciada no mandato anterior".

Meu pai e eu saímos no hospital do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, às 11 horas da manhã! Mais incrível do que esperar 5 horas para trocar uma sonda e fazer exame de urina, é constatar que a tomografia ainda não havia sido feita e que aqueles três irmão ficariam, quem sabe, um pouco mais com o pai, para realizar o exame.

Não é hora de assistir televisão para escolher o candidato. É hora de sentir o calo doer ao ir para o hospital, pegar onibus e metrô lotado, e ser assaltado no centro da cidade. É hora de votar no menos ruim, para que a omissão não nos condene ainda mais!

sábado, 29 de março de 2008

Brasil: boa notícia.


De acordo com o site oficial da Caixa Econômica Federal, o FIES (programa de financiamento estudantil) é destinado a pessoas que desejam engressar no ensino superior, não tenham condições de pagar e estejam regularmente matriculados em instituições não gratuitas, cadastradas no Programa e com avaliação positiva no MEC.


Além de beneficiar quem quer fazer graduação, desde 2005 o Fies tem concedido financiamento aos estudantes do Prouni, devidamente matriculados que possuem 50% de bolsa na faculdade.

O FIES pode ser utilizado por estes estudantes para pagamento de 25% do valor da mensalidade. Os bolsistas parciais do PROUNI não participam dos processos seletivos regulares do FIES, sendo designados períodos específicos para concessão do financiamento. Saiba como participar do processo seletivo do Fies em http://www3.caixa.gov.br/fies/.


A boa nova é que o que era bom, parece estar melhorando. No Rio de Janeiro o ministro da educação, Fernando Haddad, anunciou as novas regras do Fies. As duas principais são que esses bolsistas do Prouni poderão financiar a outra metade da mensalidade, tornando em 100% o finaciamento, e que foi ampliado o prazo para quitação do financiamento para 2 vezes o período de duração do curso, assim haverá estimulo para matrícula em cursos definidos como prioritários pelo MEC.

A taxa de juros do Fies para licenciaturas, pedagogia, normal superior e tecnologia, também é novidade, caiu de 6,5% para 3,5%.


É curioso que poucos estudantes saibam desses benefícios. Claro que me refiro a quem de baixa renda, pois o financiamento busca alcançar esse público que deseja estudar mas não tem como pagar.


Eu tinha alguma noção sobre o Fies, antigo PCE/CREDUC (programa de crédito educativo), mas nunca me motivei a procurar saber o que é, ou participar do proceso seletivo. Na minha turma da faculdade, não há ninguém que seja "Fies", apenas Prouni ou precariedade, bolsa cedida pela universidade.


Meu universo é bem pequeno, eu sei, e acredito que muitas pessoas são beneficiadas com esse Programa. O que mais me chamou a atenção, e veio em uma ótima fase, é a extensão do financiamento à pós-graduação. Para isso, basta que os interessados estejam inscritos em programas considerados de boa qualidade pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A pós-graduação está entrando no ritmo da graduação. Cada vez mais, estamos preocupados em uma especialização para acompanhar as tendências do mercado de trabalho. Em profissões como a minha, jornalismo, buscar especialidades pode ser um diferencial.


O jornalista que foca seus conhecimentos em uma área específica, tem grandes chances de seguir como profissional referência no assunto.


O último ano da faculdade traz muitos projetos à tona. Com certeza as modificações no Fies vão contribuir para que mais jovens possam "sonhar e planejar" seus estudos.
Há, ainda, um breve e tímido projeto de quitação da dívida gerada pelo financiamento, com trabalho voluntário em áreas carentes do Brasil. Voluntário é modo de falar, claro. Afinal, será a forma de pagamento pelos anos de estudo.

Mas essa é uma discussão para mais alguns anos. Vamos celebrar o que está chegando... um Brasil de boas notícias, sempre é bem vindo!!

domingo, 23 de março de 2008

Aí já é demais!!

A cultura sexual do brasileiro é liberal até certo ponto. Exposição de corpos nus e cenas de sexo semi-explicito são "tolerados" por uma maioria.

Mas se nos depararmos com um casal transando em plena luz do dia em um lugar público, essa liberalidade quanto ao sexo pode mudar?

"Deu"no Fantástico, no dia 16 de março, que na Holanda, famosa por suas ousadas posições quanto a assuntos de drogas ilícitas, sexo e eutanásia, a prática do sexo foi liberada em lugares públicos!

Ao mostrar um casal que "se animou"em um parque, em Londres e foram presos por atentado ao pudor, a matéria explorou essa nova lei na Holanda, que garantirá aos amantes mais lugares para fazer acontecer.

Considero absurdo ver casais heteros ou homossexuais exagerar no beijo em público, pois, mesmo sem perceber, estão causando constrangimento e invadindo o direito do outro. Que dirá então ter que conviver e ver casais empolgadinhos pelos parques da cidade.

É muito possível que a maioria dos casais tenha a fantasia de fazer sexo em lugares públicos e até consideram mais "gostoso"pela adrenalina que os envolve.

Eu conheci um cara que, segundo ele, transou com sua então namorada no parque do Ibirapuera, enquanto as pessoas faziam seu cooper tranquilamente. Ele disse que alguns viram e não falaram nada, outros riram, mas que ninguém chamou a polícia e eles conseguiram terminar, felizes, o serviço!

Verdade ou não, isso é coisa de maluco! Liberdade só faz sentido se todos desfrutarem dessa vantagem. Quando o seu sexo me incomoda ele passa a ser incosntitucional e agride meus direitos.

No Código Penal Brasileiro não há um parágrafo específico que condene a prática sexual em público. Há apenas o artigo 216 que diz ser atentado ao pudor mediante fraude: "Induzir alguém, mediante fraude, a praticar ou submeter-se à prática de ato libidinoso diverso da conjunção carnal" .

"Praticar sexo em locais públicos ou abertos ao público é crime de ato obsceno previsto no Código Penal", ressalta o advogado Rony Vainzof, da Opice Blum Advogados Associados. "Corre-se até risco de prisão. Na internet só é crime se as imagens mostradas forem de menores de 18 anos. E todo site ou portal que abriga esse tipo de conteúdo deve trazer um aviso na página inicial, informando que possui material impróprio para menores". (http://revistacriativa.globo.com/Criativa/0,19125,ETT1093149-2245,00.html)

Ou por postura cristã ou por bom censo, acredito ser essa "cabeça avançada"da Holanda uma prática de desrespeito com o próximo, deixando claro que a convivência social corre o risco de piorar gravemente, pois cada um vai brigar pelo seu direito, deixando de lado a tolerância, uma vez que é cada um por si.

E o cliente sempre tem razão!!




Na última quinta-feira, 20 de março, uma senhora de 49 anos foi agredida pelo segurança do banco Santander na Penha, zona leste de São Paulo.




De acorco com a matéria, a mulher foi barrada pelo detector de metais e recebeu a orientação de colocar seus objetos em uma caixa. Na segunda tentativa, ela acabou barrada novamente, empurrou a porta e prendeu a mão do segurança. Ele, furioso, deu um soco no lado direito do rosto da cliente.
Segundo a vítima, ela estava presa quando empurrou a porta e prendeu, sem querer, a mão do vigia. Ela foi agredida com um soco e caiu. Funcionários da agência a socorreram.

Com a mão presa ou não, quem esse "sgurança" pensa que é? De que filme de ficção saiu esse sujeito!!! Parece que nem todos estão aptos para realizar a função profissonal que escolheu.

Um caso curioso aconteceu comigo e com meu esposo. Era nosso aniversário de casamento, 2 anos, e resolvemos ir no restaurante "Família Mancini" para comemorar.

Famosa e bem conceituada em diversos veículos de gastronomia e afins, esse lugar não foge à regra dos comentários, a não ser na hora de pagar a conta.

Advogados do Procon são facilmente encontrados na internet, declarando que o cliente não é obrigado a pagar os 10% ao garçom, a não ser que esteja estipulado pelo estabelecimento e que o cliente tenha plena consciência disso, por meio de divulgação clara.

No artigo 457 da CLT diz que essa gorjeta pode fazer parte do salário do funcionário:
Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.

Costumamos pagar os 10% ao garçom, desde que saibamos que esse percentual realmente vai para ele e desde que o atendimento seja bom, é claro.

Na famosa Família Mancini não foi bem assim que aconteceu. Após receber a conta e anunciar que não pagaria os 10%, meu marido e eu fomos surpreendidos com uma atitude grosseira do garçom, Felipe.

Muito irritado, Felipe se recusou a passar o cartão na mesa já que nos recusáramos a pargar os 10% , alegando ser assim a forma como ganha a vida e que, se queríamos pagar deveríamos nos dirigir ao caixa!!

Ficamos perplexos!! Nunca, nem mesmo nos bares da zona leste, fomos tratados de tal forma em um estabelecimento!!
Mas o cliente sempre tem razão! Sem pestanejar, meu marido se levantou e disse: "Se você realmente desejava ganhar os 10% deveria saber tratar um cliente! Há outras formas de se conseguir aquilo que deseja. Não vou pagar, e se já tivesse pago, retiraria!!"

A bagunça só não foi maior porque somos discretos! Mas a noite terminou com um péssimo ar de "como estão as coisas!!!"

Ao me deparar com a notícia de que uma mulher foi agredida pelo segurança do banco, que está ali para prestar serviço à qualquer cliente, me preocupei ainda mais com os rumos da boa educação.

Nada justifica qualquer atitude de violência verbal ou física em qualquer situação, muito menos quando isso diz respeito aos clientes que pagam para ser servidos.

Já dizia meu pai: "O cliente sempre tem razão". Mas como tudo no mundo, isso está ficando fora de moda!!
Agora é torcer para que os mal-educados sejam corrigidos e assim tenhamos mais harmonia! Eu reclamei, e assim farei se for necessário novamente.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Inquisição


O que dizer sobre uma exclusão eclesiástica? Será que este termo está correto?

Não sei... O que sei é que nada justifica uma expulsão.


Quando eu era criança o que mais me fazia temer e "respeitar" professores e a diretora da escola era o medo da tal expulsão.

Seria humilhante sair da escola por não ser mais digno de participar daquela comunidade de estudantes de primeiro grau.

Me comportava dentro das regras para não correr o risco.


Quando adolescente, passei a perceber que este medo se dava porque eu não conhecia meus direitos e não usava o diálogo como forma de interagir com as autoridades as quais eu me subjulgava.


Na igreja, desenvolvi esse contato e a capacidade de falar de igual pra igual com quem quer que seja! Respeito, esse era o princípio de tudo!


Mas a igreja não é como meu primário. Ou não deveria ser.

Não é com medo ou com desculpas que se consegue atingir um objetivo. Ninguém deveria, na igreja, ter o direito de decidir quem fica e quem sai da "comunhão eclesiástica".


Quem deu a autorização para tais decisões? Fui eu, ao votar e colocar "representantes"??

Pois como me arrependo. Mais do que ter ficado tanto tempo me submentendo a pessoas que pouco se importam com gente, me arrependo do tempo que perdi acreditando que vale a pena.


E quando se quer discutir o por quê de medidas drásticas em assuntos simples, o ataque sempre é utilizado como defesa.


Se você, leitor, não esá entendendo onde quero chegar, explico:


Um grande amigo foi excluído do rol de membros da igreja que frequentou durante toda sua adolescencia e início da fase adulta. Assim como qualquer pessoa comum, deparou-se com realidades diferentes, experiencias necessárias, e novas opções de direcionamento político e social. Ele cresceu, em mente e espírito. Então, a igreja, com sua mente retrógrada, decidiu que por ter se mantido longe ele já não era digno de fazer parte do "fabuloso"rol de membros da comunidade!!

Sem qualquer aviso desarolou seu nome da "comunidade" que agora, ao ser questionada, se coloca como dedo acusador, usando isso como defesa ao invés de se explicar.


O medo da infancia passou, passou porque a vida nos mostra que os monstros podem ser vencidos e que as decepções podem ser superadas.


Não deixei minha fé por causa desse episódio. Muito menos deixei de crer nas pessoas e na capacidade de fazer o bem.


Mas com certeza penso que a igreja é para mim, e para muitos, um lugar de castigo, penitencias e perdão.


Não um perdão espiritual, mas um perdão social que nos faz "parte do corpo". Aceite as regras e viva conosco. Mostre-se contrário e nos deixe para sempre.


Não acho que cantar no coral e cuidar de crianças seja o essencial para o crescimento da igreja. Sempre acreditei que a pluralidade nos leva ao objetivo final: comunhão com Deus.


Cadê aquele papo de que somos um corpo e no corpo temos vários membros diferentes e com diferentes formas e funções?? A teoria é linda, difícil e viver e fazer valer.


Mais do que um desabafo esse post é uma resposta sem pergunta. Ningém falou comigo ou me provocou a falar nada. Estou falando diretamente a quem tem vontade mas não tem coragem de dizer tudo o que pensa "nas minhas fuças". Inclusive em dizer que sou mal agradecida.


Que vença o amor. A essencia de Deus.


"Se tiver que optar entre o amor e a disciplina, opte pelo amor, sempre. É o que Jesus faria".

(Pr. Longuini- em algum ano da minha adolescência).

sábado, 1 de março de 2008

Doa a quem doer!


Fidel Castro. Um mito. Um louco. Um ditador. Um guerreiro. Um homem eterno.


Ou por ter estudado com professores de história socialistas, ou por ter nascido com um quê socialista (ainda que utópico, de minha parte), vejo com pesar a saída de Fidel Castro.

Para a Veja, ele se foi tarde... mas e para os cubanos?

Cuba viveu tempos difíceis e uma formação deficiente em muitos sentidos. Mas Cuba passou por tudo isso graças à ousadia de Fidel e seus companheiros, entre eles Che Guevara, que só é herói, entre muitos brasileiros, porque já morreu!

Os brasileiros, de direita, têm uma facilidade para criticar o sistema cubano sem nem ao menos ter coragem de lutar por seus direitos cívicos.

Se ele foi tarde, cumpriu o mesmo papel desde o início. Fidel não mudou o discurso... os tempos mudaram... Os EUA não mudou o discurso contra Cuba, o mundo é que se alinhou ao seu.

Não sei o que será de Cuba. Acredito sim que o sistema mudará. O socialismo, com a forma que tem hoje, não permanecerá. Raul Castro já fala em aberturas econômicas.
Talvez minha filha não tenha grande interesse em Cuba quando estiver estudando.
Não por culpa do país ou de Fidel, mas por ele ter, possívelmente, se transformado em mais um paisinho que luta para ser alguém apesar da "terra de Bush e seus poderes", assim como o nosso Brasil, gigante pela própria natureza.

Caqui e Amora!


De volta na próxima segunda-feira, 3 de março, o "Aqui Agora" relembra minha infância.

Não lembro de nenhuma matéria super marcante, mas lembro que meus pais assistiam. Eu tinha 7 anos, assistia chaves e não telejornal.

Mas como é a vida, hoje sou estudante de jornalsimo e estou ansiosa para ver a estréia de um jornal televisivo que marcou, ou por ser apelativo, com as matérias do inconfundível Gil Gomes, ou por ser bom mesmo. como não lembro muita coisa, não posso avaliar de fato.

Mas agora posso, e o farei!

Estou curiosidade para ver a participação de estudantes de jornalismo no programa. Se a matéria da Caros Amigos estiver certa, seremos motivo de chacota!!! Os estudantes da estréia são da Faculdade Casper Líbero... vamos ver no que vai dar.

Eu quero ir, mas primeiro quero me certificar, para depois tentar essa!!

O telejornal vai ao ar segunda-feira, no horário recorde da Globo, a hora da novela... Lá pelas 18h! Digo "lá pelas 18h"porque horário fixo nunca foi o forte do SBT né!

O jornalismo me fascina ao mesmo tempo que me faz questionar se escolhi a profissão certa. Não pelo que ele é, mas pelo que deixa de ser e por causa de pessoas que fazem do entretenimento o jornalismo... O Aqui Agora me parece assim... Mas vamos ver pra crer.

Quando criança, aos 7 anos, eu e meu irmão nos referíamos à esse "programa"por Caqui e Amora... e ainda acho mais legal!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Conversa pra boi dormir?


Qual sua jornada diária de trabalho? Quatro, seis, oito horas? Ou, quem dera ser apenas oito horas!


Seja lá qual for sua carga de trabalho, há uma proposta das principais Centrais Sindicais do País (CUT, Força Sindical e UGT) de lançar um movimento pela redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas semanais, sem diminuição de salários.


O objetivo é conseguir cerca de 1,5 milhão de assinaturas para que seja possível apresentar um projeto de lei de iniciativa popular no início de 2009.


De acordo com a matéria, os trabalhadores defendem que a diminuição na jornada de trabalho sem a diminuição do salário não gera gastos, pois, com a alta tecnologia não há perda de produtos pela agilidade da produção, mantendo assim, o fluxo da produção e das vendas.


Claro que os empresários estão contra tal proposta, alegando que tudo não passa de um aumento de salário disfarçado. Eles enfatizam que qualquer diminuição de jornada implica em diminuição de salário.


Fato é que com altas jornadas de trabalho o direito ao lazer é prejudicado e o proprio empregado não se dedica ao que faz. Tanto os trabalhadores quanto os empresários concordam que essa proposta não vai aumentar os empregos no Brasil, mas divergem quando as necessidades de cada categoria é colocada em xeque.


Para os trabalhadores seu emprego é de suma importância para sua manutenção, mas como desfrutar do que ganha se não tem tempo para isso?


Já para os empregadores, o que interessa é o lucro e a competitividade com o mercado externo. Se há alguma preocupação com os funcionários é simplesmente para mantê-los interessado em continuar trabalhando.


Acredito ser essa proposta um tanto inocente e utópica. Em uma sociedade cujo sistema capitalista a muito se mantém fortalecido, apesar dos grandes avanços na conscientização social, acreditar que é possivel uma rendição por parte de quem está no poder (e no momento, infelizmente, não é o povo) é praticamente brincar com os sentimentos dos trabalhadores.


Os Sindicatos, e agora digo o que penso sem querer provar nada, tentam criar possibilidades para desenvolver seu papel de representantes do cidadão assalariado. Mas em muitas propostas só existem palavras vazias. Basta ver os resultados dos dicídios.


Penso que esse movimento na próxima segunda-feira não passa de uma manobra, que ficará esquecida em breve, quando perceberem que para se consquistar redução de jornada é preciso conquistar a confiança do trabalhador, pois, quem apoiar uma paralisação, voltará ao trabalho assim que se sentir ameaçado a perder sua vaga para quem está desempregado a muito tempo.


O mais engraçado disso tudo, é que quando li a manchete "Centrais lançam movimento por redução de jornada na segunda-feira", pensei que o único dia a ter a carga horária reduzida seria a "santa segunda"que, pra nossa tortura, vem sempre depois do domingo!


Acho que essa proposta sim, seria aceita até pelo nosso, ainda, presidente Lula!!


E que vença... bom, já imagino o final da história!!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Carnaval de casa


Nada melhor do que assistir o carnaval de São Paulo da TV, na minha casa.

O som não é o mesmo, é claro... mas invejo quem está por lá, para ver o Grupo Especial, começando pela Gaviões, homenageando Santana do Parnaíba. A emoção é outra!


A estimativa é de aproximadamente 25 mil pessoas!! Muita gente, pra curtir até de madrugada.

Além da Gaviões, desfilam Acadêmicos do Tucuruvi, Unidos da Vila Maria, Águia de Ouro, Tom Maior, Rosas de Ouro e Nenê da Vila Matilde.


A Gaviões recebe um destaque por ser a primeira a desfilar. A presença de antigos da gaviões como Biro-biro, Basilio, Serginho Chulapa e Ataliba, traz um ar de grandeza em fidelidade da nação rubronegra!!


Tanta beleza não pode deixar de lado a preocupação com a sincronia e harmonia de todos da bateria e dos passistas. O tempo também tem que ser controlado. Cada escola terá um mínimo de 55 minutos e um máximo de 65 minutos para desfilar. Em caso de atraso para entrar ou sair no tempo determinado, poderão sofrer sanções previstas no regulamento.


Para os fuliões é festa, alegria e muita azaração. Para as escolas, a chance de mostrar tanta dedicação e conquistar títulos e uma boa grana!!


Carnaval, pra mim, só em casa... Mas a beleza encanta e nos convida a assistir, de boca aberta, essa linda festa popular!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

É culpa da concorrência


O Brasil é mencionado como país cristão, de maioria católica, mas bem poderia ser chamado de "terra das religiões".

São tantos curandeiros, pastores, padres, feitiçeiros, guias espirituiais e tantos outros, que nem sei mencionar, que é possível ser espírita e católico ao mesmo tempo, só depende da fé do indivíduo.


A nova é que, com a concorrência no mercado de enganações esprituais, uma família decidiu tentar a sorte na Espanha, arrancando dinheiro alheio com "curandeirismo".

Esse tipo de trabalho em família é compensador e lucrativo. Aqui, na nossa terra, o exemplo em voga é o casal apóstolo Estevam e bispa Sônia Hernandes. Os pombinhos engordaram (literalmente) às custas de pessoas de boa fé e íntegras que, ou por desconhecer as falcatruas, ou por achar que tudo não passa de uma luta espiritual vivida por seus líderes, continuam a encher o, já gordo, cofrinho da família.


A nova família curandeira, com 8 integrantes (é possível que até sogra e genro se entendam), foram presos hoje na ilha espanhola de Palma de Mallorca. Eles são acusados de fraude por anunciar curas milagrosas.


A operação recebeu o nome de "Vodu Brasil", e acabou com essa rede de curandeiros e videntes que atuava na Espanha há quatro meses.

Segundo a BBC Brasil, os clientes pagavam 50 euros pela primeira consulta com leitura de mãos, búzios e tarô e sempre ouviam que sofriam algum tipo de "negatividade".

Para se curar e prosperar, era necessário cumprir tarefas que incluíam a purificação de seus objetos pessoais, começando pelas jóias.


Bom, se fosse aqui no Brasil isso de fato não daria lá muito certo. Aqui, na nossa terra, tem que ser aos poucos. Tem que começar pedindo quantias pequenas e aumentando gradativamente, ou, ainda, pedir um trabalhinho espiritual mais ligth, até que o "pé atrás" se renda aos apelos mais exigentes dos donos da espiritualidade.


De Setembro pra cá, a tal família arrecadou (com muito trabalho, é claro) cerca de 125 mil euros e diversas jóias que as vítimas entregavam para que fossem purificadas.

Tudo que é bom dura tempo suficiente para chegar ao fim. Foi assim com os, hoje prisioneiros nos EUA, apostolo e bispa e será com todos os charlatões que existem por aí.

Como está na Bíblia, que muitos usam com má fé, não há nada oculto que não venha a ser descoberto. E tem o velho ditado: mentira tem perna curta!

A nova família-quadrilha, pelos crimes contra a saúde pública, pode ser condenada a 3 anos de cadeia. A sentença pode incluir ainda mais dois anos por fraude, dependendo do número e da gravidade das denúncias.
As investigações são lentas e difíceis porque as testemunhas, muitas vezes, acabam convencidas de que denunciar esses falsos curandeiros pode atrair desgraças.

Pois é minha gente, só não ganha dinheiro quem não quer!
Novo curso de curta duração: charlatanismo internacional.

Culpa, é claro, da miséria nacional e da concorência espirinstitucional (neologismo necessário).


Amém!

domingo, 27 de janeiro de 2008

De onde vem?

Como sempre, chegou de madrugada e foi direto pra cozinha. A fome, depois da balada, era a mesma de todos os finais de semana.

Enquanto prepara o lanche, a mente lhe traz vários pensamentos que o faz criar coisas que não existem, ou que não fazem o menor sentido.


Se sentou na cadeira, colocou o prato sobre a mesa e com os olhos pesados e muito cansados começou a devorar o lanche. Mas uma coisa o fez parar.


Sobre a pia da cozinha estava um copo com água e uma laranja dentro dele, já descascada. O que seria aquilo? várias opções de resposta surgiram na mente levemente bêbada: será que é algum chá pra tirar bebedeira? Minha mãe poderia ter deixado aí pra mim. Ou seria uma simpatia pra tirar alguma urucubaca?

Com sono e comendo mais lentamente, as idéias fervilhavam em sua mente. No dia seguinte, enquanto tamava café, reparou que o copo da madrugada não estava mais lá. O que teria acontecido?

Quando a mãe entrou na cozinha, a pergunta mais óbvia do dia foi feita: "Mãe, para que servia aquele copo com água e laranja?" A resposta causou espanto: "Nada não. Eu descasquei a laranja, perdi a vontade de chupá-la e coloquei em um copo com água pra não encher de formiga. Tchau, tô atrasada".

Nada mais frustrante. Todo aquele tempo perdido para encontrar uma razão... Não teve dúvida; levantou-se pegou no armário um copo, encheu-o de água e colocou a laranja dentro dele, com casca e tudo e pensou: se eu que vou inventar essa mandinga, que seja pelo menos descomplicada... vai que funciona?

De onde vêm as simpatias, manias e costumes?
Bom, eu procurei, na internet (bem por cima, é verdade!) e não encontrei uma resposta satisfatória.

Estou quase certa, entretanto, que a origem dessas manias de deixar copo com água e alguma planta dentro para trazer algum benefício, por exemplo, tem uma origem simples: a mente humana!

Assim como várias pessoas se apegam em objetos e crendices, muitas vezes por uma necessidade da mente e do próprio corpo. A fé, seja ela em que esteja baseada, é fundamental para a cura de alguns males da humanidade.

Crer em algo, fazer algum chá milagroso é muito importante, pois, além de nos manter acreditando em algo que pode acontecer, ainda nos liga à nossa cultura, perdida no tempo e esquecida entre as terapias e as drogas vendidas em farmácias.

A origem da maioria eu não conheço... mas comer "bucho de bode atrás da porta faz a menina virar moça bonita quando crescer".... é engraçado, mas eu comi, e funcionou, pelo menos aos olhos da minha mãe, quem me ensinou mais essa.

Passe adiante...vai que funciona??!!